29 de junho de 2010
Por Mariana Midori Isagawa / USP Online
O princípio da extensão universitária já é consolidado na Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) da USP: são mais de dez cursos oferecidos à comunidade, que visam a manutenção da saúde e qualidade de vida. Os cursos têm caráter semestral, e as inscrições para o segundo semestre deste ano estarão abertas entre os dias 1º e 8 de julho.
Além de ajudar a universidade a cumprir uma das suas importantes funções, que é a prestação de serviços à sociedade, as iniciativas também agregam valor à formação dos alunos. “A comunidade é atendida a preços reduzidos, e os estudantes ganham a oportunidade de fazer um estágio orientado dentro da própria universidade, o que os torna profissionais mais bem preparados”, afirma o professor da EEFE Paulo Bonacella.
De acordo com Bonacella, a infraestrutura da Faculdade, que conta com piscina, quadras e ginásios, também passou a ser muito melhor utilizada após a criação dos cursos. Os estudantes da EEFE utilizavam o espaço somente no período da manhã e no início da tarde, enquanto a infraestrutura é atualmente utilizada em tempo integral.
Pioneiro
O professor Paulo Bonacella é coordenador de um dos cursos mais antigos e o primeiro de natação criado pela EEFE, que atende crianças que têm de 8 a 14 anos. Ele conta que a Universidade passou a incentivar a questão da extensão no final da década de 1970. O curso que coordena, Natação Infantil, surgiu em 1979, com alguns outros cursos, como o Atividade física para o portador de asma.
Hoje, o Natação Infantil atende 200 crianças em sete horários diferentes, com aulas duas vezes por semana. Segundo o professor, os alunos são todos de regiões próximas ao campus, filhos de professores e funcionários. “Nosso curso é tão antigo que temos até filhos de alunos daqui da EEFE, que participaram do projeto na graduação”. Mesmo que a divulgação do curso não seja ampla, o número de inscritos sempre supera o número de vagas, e a admissão é feita por sorteio. De acordo com Bonacella, isso acontece porque o preço do curso oferecido na Faculdade é aproximadamente um terço do valor cobrado por academias.
Os monitores são alunos da EEFE, que devem inscrever-se num processo seletivo para obter uma bolsa e participar do projeto. O tempo limite de participação de cada estudante é de um ano, para que mais alunos tenham a oportunidade de participar. Os estudantes têm que fazer o planejamento das aulas e relatórios, e todo o processo é acompanhado e orientado pelo professor responsável, que discute eventuais dificuldades em reuniões semanais com grupo de monitores e também assiste às aulas.
Novas propostas
Muitos outros cursos foram criados ou extintos ao longo dos anos. Atualmente, a EEFE oferece um total de 13 atividades: Alongamento, Aprendendo a nadar, Atividade Física ao portador de asma, Atividade física e controle alimentar para obesos, Condicionamento físico, Curso de ressuscitação da parada cardíaca, Educação física para idosos, Educação física para gestantes, Hidroginástica, Natação inclusiva, Natação para crianças, Natação para adolescentes e Natação para adultos.
O curso de Natação inclusiva, coordenado pela professora Elisabeth de Mattos, é um exemplo de atividade que surgiu devido a existência de uma demanda não atendida. No início, atendia apenas deficientes físicos. Com o passar do tempo, também ingressaram no grupo deficientes sensoriais, pessoas com indicação médica para a prática de natação e pessoas com distúrbios mentais. Além disso, a participação de familiares e acompanhantes que levavam estes alunos às aulas também foi permitida, desde que houvesse vagas remanescentes.
São oferecidos três horários diferentes para os alunos que têm autonomia motora suficiente para permanecer na água sozinhos, e um horário, às sextas-feiras, para os que precisam de acompanhamento integral. Estes contam com a ajuda dos monitores e de seus acompanhantes dentro da piscina. “O objetivo da inclusão é que estes deficientes participem da vida social com suas famílias. Portanto, essas pessoas que os acompanham têm que aprender a lidar com eles dentro da água”, explica Elisabeth. “O objetivo não é aprender a nadar, e sim ter segurança e poder se divertir na água”.
O restante dos alunos passam por três níveis: adaptação, iniciação e aperfeiçoamento/condicionamento físico. No primeiro, as pessoas que não nadam aprendem a atravessar a piscina sozinhas. Já no segundo nível, são introduzidas alguma técnicas de nado, como crawl, costas e peito, e quando os participantes adquirem resistência (nadar 400 metros sem pausa), eles passam para o aperfeiçoamento, onde é ensinado o estilo borboleta e algumas técnicas de competição. Nesta última etapa, os alunos que se interessam são encorajados e orientados a procurar clubes para treinar e participar de competições.
Os monitores que ingressam na atividade passam por um curso preparatório realizado pela própria professora Elisabeth, antes do início das aulas. “Essa é uma experiência muito enriquecedora para os monitores, que desmistificam essa suposta dificuldade de trabalhar com deficientes”, ressalta.
Serviço
As inscrições para os cursos à comunidade podem ser feitas através do site www.usp.br/eef/?curso_comunitario/listar/tpc/7, de 1º e 8 de julho. No site também se encontram mais informações.
Os valores variam de R$ 55,00 a R$ 201,00 o semestre, com diferentes cargas horárias. O endereço da EEFE é Av. Prof. Mello de Moraes, 65, Cidade Universitária, São Paulo. O telefone para contato é (11) 3091-3077, e o email eef@usp.br.
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