12 de abril de 2010
Por Carolina Medeiros
Agência CanalEnergia, Planejamento e Expansão

A construção da hidrelétrica de Belo Monte (PA, 11.233 MW) envolve riscos financeiros, ambientais e políticos, segundo uma avaliação feita pelo diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.
Na visão do especialista, esses riscos teriam sido a motivação que fez com que a Camargo Corrêa e a Odebrecht desistissem de participar do leilão da usina, previsto para acontecer no dia 20 de abril.
As construtoras não se inscreveram na chamada pública feita pelo grupo Eletrobras para o certame e divulgaram uma nota afirmando que não haviam encontrado condições econômico-financeiras que permitissem sua participação no certame.
"A Odebrecht e a Camargo Corrêa já há algum tempo vinham colocando que o preço estabelecido para o leilão e o investimento de R$ 19 bilhões eram muito baixos para se fazer uma obra desse porte. E agora elas estão consolidando uma opinião que elas deram", afirmou Pires em entrevista à Agência CanalEnergia. Segundo ele, vários engenheiros já disseram que não dá pra construir a usina com R$ 19 bilhões.
O preço-teto estabelecido pelo governo foi de R$ 83/MWh. "Pra fazer com essa quantia, teria que vir um 'pacote de bondades' do governo muito grande, que incluísse subsídio do BNDES, isenção de IPI, entre outras medidas", explicou.
No entanto, disse Pires, esse é um ano de eleição e ninguém garante que o próximo governo vai cumprir o que foi acertado agora. "Quem vai ganhar as eleições? É uma eleição disputada. Como é que o próximo governo vai tratar esse assunto? Então é um risco grande entrar em um investimento desses e depois lá na frente ter que renegociar tudo", declarou. Além disso, de acordo com o especialista, há os riscos ambientais. O Ministério Público Federal disse que vai pedir a anulação da licença prévia da hidrelétrica de Belo Monte e o cancelamento do leilão.
"Quem assumir a usina vai ter que arcar com riscos financeiros, político, ambiental, é muito risco. É um projeto que aparentemente não dá conforto nenhum para quem assumir", observou. Apesar disso, Pires diz que a saída das construtoras do leilão pode ser um forma de pressionar o governo. O consultor acredita ainda que o leilão pode ser adiado, principalmente se houver apenas um consórcio cadastrado. "Acho que ficaria estranho se o governo continuasse o processo com apenas um consórcio, sem uma disputa", analisou.
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